segunda-feira, agosto 04, 2008

Hoje...



"Goethe afinal também escreveu para o teatro de rua"

"O Teatro do Mar está em Lisboa e Bárbara Cruz deixa o aviso: anjos e demónios vão estar à solta na praça do Teatro São Carlos.
Conta a lenda que Fausto, amante dos prazeres da vida e atormentado pelos limites do seu saber, vende a alma ao diabo em troca da juventude eterna e do conhecimento infinito. Um pacto ideal para ambas as partes, não fosse Fausto apaixonar-se pela jovem e inocente Margarida, um amor condenado à partida pelo inevitável confronto entre as forças do bem e do mal.
É a tragédia de Fausto, imortalizada na obra do alemão J. W. Goethe (1749-1832), que o Festival dos Oceanos leva ao Largo do Teatro São Carlos domingo e segunda, às 22.00: Daimonion estreia-se em Lisboa três anos depois da primeira apresentação em Faro.
Criação do Teatro do Mar, que nasceu em Sines há 23 anos, o espectáculo já percorreu vários festivais internacionais e “tem feito sucesso fora de portas”, conta a encenadora Julieta Santos. Sendo esta uma companhia “itinerante por excelência, por objectivo e opção”, o seu território privilegiado têm sido os festivais internacionais de teatro de rua: ironicamente, o primeiro país estrangeiro a receber o espectáculo foi a Alemanha, berço do mito de Fausto, e em Frankfurt, cidade natal de Goethe, “as reacções foram surpreendentemente positivas para um país que já viu milhões de versões” desta história, garante a encenadora.
Mas a proposta do Teatro do Mar vai além do convencional: num espectáculo sem suporte textual, associa o teatro, a música, a dança, o circo e o vídeo numa fusão que tem vindo a definir os caminhos artísticos da companhia, que tem no teatro de rua a sua principal vocação. “Neste caso, a dramaturgia do nosso trabalho apoia-se nas imagens que se sustentam na obra de Goethe”, explica Julieta Santos.
Uma estrutura eleva-se nove metros acima do palco onde se consuma a desgraça de Fausto e da sua amada. A Morte, Mefistófeles e um Espírito Anjo, concebidos como dois “alter-egos” do próprio Fausto, completam o elenco que se move num cenário de inspiração gótica porque, diz a encenadora, “revela o lado mais escuro da alma humana”. Aos efeitos visuais das imagens, projectadas na tela que serve de fundo, juntam-se acrobacias aéreas e outros elementos circenses, incluídos também “para servir a dramaturgia. É sabido que o corpo tem mais limites do que o pensamento, por isso aqui nós representamo-lo como um corpo alado”.
O metal gótico dos Eternal Mourning, que têm na sua formação uma cantora lírica, é a banda sonora original. E tal como a música oscila entre o clássico e o mais pesado, o espectáculo oscila entre a luz e as trevas, o bem e o mal. A dualidade está sempre presente, ilustrando o conflito interior da própria personagem de Fausto, que é “no fundo, o grande conflito do Homem e da Humanidade”, diz Julieta Santos.
Nem o nome, Daimonion, escapa a esta concepção dualista. Segundo a encenadora, o significado original da palavra grega seria a inquietação. “As inquietações são os demónios dentro de cada um de nós. Enquanto o Homem existir, existirão demónios”. Durante dois dias, o Teatro do Mar deixa-os vaguear livremente por Lisboa. "
E venham mais noites assim...

2 Comments:

Blogger pinguim said...

Afinal ainda vou a algum lado...
Fui ver, e se não postei sobre a representação, foi porque (não me batas, por favor), não gostei.
Algum amadorismo, uma encenação pouco conseguida, enfim, não me convenceu.
A incomodidade com que assisti à peça, sentado no chão, ajudou.
Nalguma coisa havíamos de divergir...
Beijinhos.

06 agosto, 2008 02:04  
Blogger carpe diem said...

pinguim...

Eu não bato em ninguém...

E é devido ás divergências que o mundo avança, certo...
Pois eu gostei bastante, princioalmente do bailarino que interpretava a "vida/libertação", talvez tivesse ganho mais se o espaço não fosse tão pequeno ;)... digo eu :)...

beijinhos

06 agosto, 2008 11:25  

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